Estado Islâmico destrói importante complexo arqueológico na Síria

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Estado Islâmico destrói importante complexo arqueológico na Síria

Tell Ajaja é um dos sítios assírios mais ricos da Síria, mas durante a passagem dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) por este local, estátuas milenares foram destruídas, além de baixos-relevos que não haviam sido desenterrados.
O EI já devastou um patrimônio inestimável na Síria e no Iraque. No caso concreto do sítio de Tell Ajaja, controlado por eles durante dois anos, conseguiu ser libertado em fevereiro de 2016 quando grupos curdos expulsaram os extremistas da maior parte da província de Hasake.
Localizado no alto de uma colina e a centenas de quilômetros da fronteira com o Iraque, Tell Ajaja oferece um espetáculo desolador. Ainda longe do local, é possível observar os restos dos objetos destruídos e grandes buracos no chão, resultado dos roubos, como constatado pela AFP.
Apesar de a maioria dos tesouros de Tell Ajaja, descobertos no século XIX, estarem em museus sírios e no exterior, os extremistas e outros criminosos levaram indícios ainda desconhecidos.
“Foram encontrados objetos desconhecidos, como estátuas e colunas. Muitas coisas foram perdidas”, lamenta Mamun Abdulkarim, chefe das Antiguidades sírias.
“Mais de 40% de Tell Ajaja foi destruída ou roubada pelo EI”, afirma Jaled Ahmo, diretor de Antiguidades de Hasake. “Os túneis perfurados destruíram níveis arqueológicos inestimáveis”, testemunhas da história econômica, social e política da época.
Páginas da História destruídas
Em 2014 apareceram fotos de extremistas destruindo a marteladas estátuas do primeiro e segundo milênios pertencentes ao patrimônio assírio, divulgado sobretudo no Iraque e na Síria, onde ocorre uma guerra devastadora desde 2012.
“Com escavadeiras esses bárbaros destruíram páginas da História da Mesopotâmia”, destaca Abdulkarim. “Em dois ou três meses reduziram a nada o que teria necessitado 50 anos de trabalhos arqueológicos”, acrescenta.
Fotos publicadas no site das Antiguidades mostram objetos danificados ou roubados em Tell Ajaja: baixo-relevos com inscrições em alfabeto cuneiforme, leões e animais alados – inclusive o “lamassu” -, criaturas com cabeça humana e corpo de touro, e leão com asas de águia, cujo objetivo era a defesa contra os inimigos.
A Assíria, com sua capital Nínive (atualmente no Iraque), foi um poderoso império do norte da Mesopotâmia. A arte assíria é particularmente célebre por seus baixo-relevos que recriam cenas de guerra.
“Tell Ajaja ou a antiga Shadicanni era uma das principais cidades assírias.” no território sírio atual, explica Sheijmus Ali, da Associação para a Proteção da Arqueologia Síria (APSA).
“O EI transformou a colina em zona militar”, conta à AFP um morador do local sob o pseudônimo de Jaled, que acrescenta: “ninguém tinha direito de entrar sem autorização”.
Contrabando para a Europa
“Verdadeiras hordas de homens armados entravam acompanhados de traficantes de objetos arqueológicos”, assegura outro habitante, Abu Ibrahim.
Tell Ajaja era conhecida como Tell Araban na época islâmica. Mas, lamentavelmente, “as camadas mais altas que se remontam a essa era também foram arrasadas”, afirma Jaled Ahmo.
Inúmeros vestígios foram contrabandeados através da vizinha Turquia para a Europa, segundo Abdulkarim, que alertou a Interpol.
Desde sua ascensão militar em 2014, o EI devastou muitos sítios mesopotâmicos no Iraque (Hatra e Nimrud) e na Síria, alguns classificados como patrimônio mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Na Síria, mais de 900 monumentos ou sítios arqueológicos foram afetados, seriamente danificados ou destruídos pelo regime, pelos rebeldes ou extremistas, segundo a APSA.

Arqueólogos encontram cemitério filisteu em Israel; Descoberta reitera narrativas bíblicas



A descoberta de um cemitério filisteu por uma equipe de arqueólogos liderada por pesquisadores israelenses é mais um capítulo da história da arqueologia moderna a referendar as narrativas bíblicas.
No último domingo, 10 de julho, os pesquisadores anunciaram que encontraram, em 2013, um cemitério filisteu. Essa descoberta seria a primeira da história relacionada aos sepulcros do povo inimigo de Israel, e poderá trazer luz sobre dúvidas a respeito de sua origem.
De acordo com informações da BBC, o anúncio da descoberta marcou o fim da escavação feita pela Expedição Leon Levy, que durou 30 anos na região do Parque Nacional de Ashkelon, no sul de Israel.
Os pesquisadores alegam ter encontrado 145 conjuntos de restos mortais em várias câmaras fúnebres, algumas delas cercadas por perfume, comida, joias e armas. Até onde se sabe, as ossadas são datadas dos séculos 11 a.C. e 8 a.C.

Segredo

A decisão de manter a descoberta em segredo por três anos foi tomada para permitir que as escavações fossem concluídas, pois o anúncio poderia atrair ativistas judeus ultraortodoxos, que se opunham ao projeto, acusando os arqueólogos de perturbar locais de sepultamento.
“Nós tivemos que segurar as nossas línguas por um longo tempo”, afirmou Daniel M. Master, um dos responsáveis pela pesquisa.
De acordo com especialistas que estudaram o período, não há consenso sobre a origem geográfica dos filisteus, um povo considerado migrante. Grécia, sua ilha Creta, Chipre e Anatólia, na Turquia, são apontados como possíveis locais de surgimento dessa estirpe.
“A equipe da expedição está agora fazendo exames de DNA, de datação por radiocarbono e outros testes nos restos mortais em uma tentativa de apontar sua ascendência. A maioria dos corpos não foi enterrada com itens pessoais, afirmam os pesquisadores, mas perto de alguns havia utensílios onde eram guardados perfumes, jarras e pequenas tigelas. Poucos indivíduos foram sepultados com pulseiras e brincos. Outros, com armas”, diz o texto da matéria da emissora britânica.
O arqueólogo Adam Aja, um dos integrantes da equipe de escavação, resumiu a descoberta: “É assim que filisteus tratavam seus mortos, e esse é o ‘livro de códigos’ para decifrar tudo”.
O filisteu mais famoso de que se tem notícia é Golias, o gigante guerreiro que tombou com um tiro de funda disparado pelo jovem pastor de ovelhas Davi, que o decapitou.

Peça de 5 mil anos mostra que mesopotâmicos recebiam salário em cerveja

 (Foto: Trustees of the British Museum)

Placas de argila com inscrições cuneiformes de 5 mil anos de idade encontradas nas ruínas da cidade mesopotâmica de Uruk, que hoje corresponde ao Iraque, revelam um passado, de coordenação motora comprometida. O salário dos trabalhadores da antiguidade era pago em cerveja.


O registro específico consiste em um recipiente cônico, que significa “cerveja”, acompanhado de uma figura humana se alimentando com uma valise, que representava o conceito de “ração”. A placa como um todo é uma espécie de holerite.
Embora o método de pagamento inusitado tenha atraído toda a atenção do público, o próprio fato de que havia salário e funcionários nos primeiros agrupamentos humanos é revelador: esse é o mais antigo registro de um método de organização do trabalho que envolve patrões e empregados. 
A placas de argila que eram usadas pelos povos da Mesopotâmia são uma excelente janela para o cotidiano da antiguidade. Elas resistem excepcionalmente bem à passagem do tempo, mesmo quando não são cozidas. Só no Museu Britânico, responsável da placa alcoólica, há mais de 130 mil inscrições do tipo.
“Uma enorme quantidade de inscrições está disponível, são mais de 3 mil anos de história”, explicou Irving Finkel, curador do museu, à BBC.  “Só uma pequena parcela delas foi feita para durar, o resto consiste em documentos mais ou menos efêmeros que descrevem muitos aspectos públicos e privados da vida na Mesopotâmia.”
Essa foi a primeira vez que a bebida foi usada como moeda de troca, mas não foi a última. No Egito antigo, operários que trabalhavam na construção das pirâmides recebiam entre 4 e 5 litros diários de cerveja.

Moedas e objetos de 1.600 anos são encontrados em navio naufragado em Israel

Arqueólogos mergulhadores encontraram um navio naufragado perto do antigo porto de Cesárea, com milhares de moedas de 1.600 anos atrás, estátuas de bronze e outros objetos enterrados no mar, informou nesta segunda-feira a Autoridade de Antiguidades de Israel.

Trata-se da maior quantidade de objetos descobertos no fundo do mar nas últimas três décadas. As relíquias foram primeiro encontradas por dois mergulhadores amadores no mês passado, indicou um comunicado do órgão israelita.

A descoberta inclui, além disso, âncoras de ferro, restos de ancoras de madeira e objetos que foram empregados na construção e navegação da embarcação que naufragou.A pesquisa para recuperar os objetos foi realiza nas últimas semanas por mergulhadores especializados e voluntários que usaram equipamentos avançados para desenterrar vários artefatos.

Muitos dos objetos são de bronze e se encontram em extraordinário estado de conservação. Também foram localizados fragmentos de grandes jarras que eram usadas para levar água potável para a tripulação do navio.

Uma das grandes surpresas foi a descoberta de dois sacos lotados de milhares de moedas que pesam 20 quilogramas e estava no interior de uma vasilha na qual eram transportadas. Elas têm a imagem do imperador Constantino, o Grande (274-337), e de seu sucessor e rival Licinio, que governou a parte leste do império entre 308 e 324.

De acordo com Jacob Sharvit, diretor da Unidade de Arqueologia Marinha da AII, e Dror Planer, vice-diretor do departamento, a localização e a distribuição dos artefatos no fundo do mar apontam que se trata de um grande navio mercante.

Segundo os especialistas, ele possivelmente foi surpreendido por uma tempestade na entrada do porto, e a embarcação afundou após se chocar contra as pedras.

Arqueólogos descobrem inscrições antigas “na língua de Jesus”

Achados no norte de Israel comprovam presença judaica no local no primeiro século d.C.

Arqueólogos descobrem inscrições antigas “na língua de Jesus”

Se antigamente achados arqueológicos em Israel serviam apenas para ‘comprovar’ muitos relatos bíblicos, nos últimos anos tornaram-se também uma questão política. Afinal, existe uma tentativa contínua da Autoridade Palestina de negar a conexão judaica com a Terra Santa no passado. Mais uma vez ela é comprovada cientificamente.
Nas últimas semanas, escavadores israelenses encontraram inscrições em grego e aramaico em um cemitério nas ruínas de Séforis, antiga cidade da Galileia. Localizada no norte de Israel, distava apenas 6 Km de Nazaré. Os três epitáfios encontrados possuem cerca de 1.700 anos. Eles são mais uma comprovação da presença judaica naquela região no primeiro século depois de Cristo.
As descobertas foram divulgadas pela Autoridade de Antiguidades de Israel. “Séforis foi a primeira capital da Galileia, desde o período da dinastia dos hasmoneus até o estabelecimento de Tiberias, no primeiro século”, explicaram os pesquisadores em um comunicado à imprensa.
Segundo as imagens apresentadas, algumas palavras vão sendo “decodificadas”. O termo grego para “José”, um nome comum entre os judeus na época. Isso comprova que embora o aramaico era a língua principal, alguns judeus eram helenistas, ou seja, adeptos da cultura grega.
Além disso, há três palavras em aramaico. São elas “Tiberiano”, “sempre” e “Mestre”. Os estudiosos sempre defenderam que o aramaico era a língua falada por Jesus.
O professor Moti Aviam, do Instituto de Arqueologia Kineret da Galileia, disse em um comunicado: “Uma das surpresas nas inscrições é que um dos mortos era chamado de ‘o Tiberiano’. Essa descrição é a segundo registro de alguém natural de Tiberíades enterrado no cemitério de Séforis”.
Aviam explica que os investigadores têm duas teorias sobre quem poderia ser esse “Tiberiano”. A principal é que se tratava de um judeu galileu que pode ter sido enterrado no cemitério de Séforis por causa das importantes atividades conduzidas no local pelo rabino Yehuda Ha-Nasi, conhecido por ter compilado por escrito as tradições judaicas pós-bíblicas.
Existe também a possibilidade que o termo significa simplesmente a cidade natal do homem, no caso, Tiberíades, o mesmo nome dado ao local pelo Novo Testamento.
A outra descoberta surpreendente é da palavra aramaica “le-olam”, que significa “para sempre”. Os investigadores afirmam que essa foi a primeira vez que a palavra apareceu em Séforis.
Aviam esclarece: “O termo le-olam é conhecido de inscrições funerárias em Beit She’arim (na Galileia) e em outros lugares, e significa que o enterro do falecido permanecerá seu para sempre e ninguém vai tomá-lo. Ambas as inscrições terminam com a bênção de shalom (termo hebraico para paz)”.
Embora a inscrição em aramaico mencione um “rabino”, os pesquisadores admitem que não têm certeza que seria ele, pois 1700 atrás Séforis era uma cidade conhecida por seus muitos estudiosos da Torá.
Para a Autoridade de Antiguidades de Israel, as novas escavações são mais uma comprovação que a cultura judaica se mantinha forte na antiga Séforis.
“A vida judaica na cidade era rica e diversificada, como indicam numerosos locais de banhos rituais (miqwe’ot) descoberto na escavação. Ao mesmo tempo, a influência da cultura greco-romana era bastante evidente. Isso fica evidenciado no design da cidade, com suas ruas pavimentadas, estradas principais, presença de colunas, teatro e casas de banho”, enfatiza. Com informações de CBN